quarta-feira, outubro 25, 2006

desistir-e-pronto

"Ya estoy en la mitad de esta carretera
tantas encrucijadas quedan detrás...
Ya está en el aire girando mi moneda
y que sea lo que sea. "
SEA, Jorge Drexler
Porque era necessário acreditar que era-possível-desistir-e-pronto e porque esta era uma decisão que deveria ter lá a sua pompa, naquela noite não descalçou o salto nem a saia, nem lavou do corpo os perfumes do dia. Limitou-se a abrir seu melhor vinho e andar pela casa até que o primeiro violeta da manhã trouxesse as respostas de que necessitava: colocar a casa e a alma à venda. Porque era necessário acreditar que era-possível-desistir-e-pronto, nos dias seguintes viu adentrarem seus silêncios e discutirem reformas em suas e(x)ternidades e lançarem propostas à compra do que valia mais do que territórios delimitados por muros. Mas porque era tão difícil, mas tão difícil desistir-e-pronto, ainda não tinha conseguido saber em quantas vezes deveria parcelar a alma.

17 comentários:

Mulher de Sardas disse...

A gente parcela em tantas vezes e nem percebe que acaba sempr pagando o dobro.

Adoro te ler, Cecília.

Beijos!

Marilena disse...

uau !! fiquei sem folego !! amei e vi flashs de uma existencia certa, firme, ereta, eterna, mas por vezes vulneravelmente densa, insegura e desistente ...como a minha, como a de todos. beijos, querida.

holeart disse...

o que a memoria nos faz

faz tempo

quase me esquecia

Lu disse...

Minha Lia, talvez não seja possível parcelar, por isso que desistir-e-pronto seja um negócio arriscado. Paga-se o preço e pronto.
Beijo enorme.

anucha disse...

... parcelar a alma? viajei nisso aqui. bom ter vindo. valéria que me trouxe. adorei. bj

marcos pardim disse...

desistir é um dom. uma dor. poucos, pouquíssimos, o tem (o dom) ou a suportam (a dor). quanto as parcelas, vezenquando preciso apelar para recebê-las...
1 beijo

Anônimo disse...

Olá Cecília,soube que vc foi uma das premiadas no Concurso Histórias de Trabalho com o conto Ocos.Parabéns.
Também costumo escrever,mas sinceramente acho q não escrevo muito bem,porque até hoje não consegui ganhar nenhum concurso literário.
Gostaria de lhe perguntar como posso saber se tenho ou não dom literário? Como foi que vc descobriu o seu?
Seria legal se vc disponibilizasse no seu blog o conto Ocos.Uma abraço

Paulo Osrevni disse...

A gente tem que trabalhar sempre pra que a alma seja à vista... todo dia!

marcia cardeal disse...

às vezes vejo minha alma pendurada em varal de beira de estrada. onde ninguém passa. beijo.

Vítor Leal Barros disse...

mas tinha mesmo que desistir? Pronto, eu não queria, mas enfim...

;)

um beijo

Mel disse...

Que lindo! Quantas vezes eu também quis apenas "desisti-e-pronto" e depois vi que o parcelamento iria ficar looooooooooooooooongo demais, e desisti de desistir...

Beijos

Dalva disse...

Tudo a ver comigo. Tudo a ver...

Mulher de Sardas disse...

já vi que estarás na Feira!

anucha disse...

bem vinda à "minha alma". volte sempre. bj

Rubens da Cunha disse...

também acho necessário acreditar
também acho difícil.
vi seu verso no blog da Valéria, ficou lindo.
beijo
Rubens

diovvani disse...

“saber em quantas vezes deveria parcelar a alma” Tão difícil saber, como parcelar aqui, minha emoção.

Marília disse...

Muito lindo teus escritos...
Tenho me arriscado também pela poesia, se um dia tiver vontade de olhar:
www.partituradeletras.blogspot.com

E a história da menina da verruga achei muito bonita... como leitora, escritora e paciente, sei bem como sao delicadas as tecituras disso tudo...

Beijos!