sexta-feira, outubro 06, 2006

Segredos

Das coisas terríveis do fim, o mais entristecedor nem era o fato de jamais visitarem juntos aquela cidade que tinha O Porto, onde ela lhe surpreenderia com as meias grossas e coloridas sob a saia curta. Era tampouco a certeza de nunca mais ouvir a risada larga, beijar beijo de escada rolante, sentir na moldura da boca dele o cheiro do cheiro dela. O que mais a entristecia era que ele jamais conheceria os dois segredos que ela guardara cuidadosa para a velhice, as mãos dadas, cadeiras na varanda.
(foto: Hugo Amador)

19 comentários:

Fernando Palma disse...

Cecilia,
belo demais este texto de hoje. Comoveu-me bastante.
Deu ate vontade de escutar velhinhos conversando em uma varanda de mãos dadas. :)

Bonito mesmo.

Angel Cabeza disse...

Cecilia, volto a visitar teu blog.
E que texto simples e belo, tão belo quanto o fim ao lado de alguém.
Lembrou-me Noll.

Abraços,
Angel Cabeza
www.angelcesar.zip.net

Wilson Guanais disse...

olá, posso levar um poema seu lá pro meu espaço (outros poemas)?

douglas D. disse...

muitas vezes já olhei a mim mesmo assim, mais adiante. você soube traduzir-me. obrigado!

Wilson Guanais disse...

levei.

abraço

Ivã Coelho disse...

Um segredo se esconde sempre onde menos podemos sustentá-lo. Seria a vida muito curto para este tipo de cuidado, já que um desespero sempre se levanta quando a possibilidade de revelação se apresenta? Um segredo domina, a verdade liberta.

Suas intervenções na vitualidade de uma interface me desperta, poeta, o caminho das completudes nas palavras que desenvolvem outras soluções em suas mãos.

Beijos sempre, força sempre... carinhos especeiais.

Lu disse...

Ah, minha Lia, a dor do irrealizado é bem parecida com a perda de um filho: um pedaço nosso que não vingou.
Bingo!
Beijo imenso.

marcia disse...

sinceramante, seu blog é de uma beleza... poucas vezes um blog me fez sentir isso...
beijo!

marcos pardim disse...

ai... doeu uma dor aqui em mim. a dor de imaginar que há segredos que nem com a possibilidade do fim deixarão de sê-los.
meu carinho por ti, guria.

Tita Aragón disse...

Nossa, Cecilia... eu me 'achei' em cada palavra tua... são estes segredos que me fazem desistir de desistir. São como sonhos revisitados.

Segunda Pele disse...

que bonito isso!

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Muito bom!
Muito bom!
Muito bom!

Beijos do *CC*

Anônimo disse...

Cecília, hj "debutei" no teu blog. As palavras sumiram ficou a minha emoção.Parabéns!
beijo,
Flávia Azambuja

Claudio Eugenio Luz disse...

São os nossos escondidos, diria.

hábeijos

Dalva disse...

Ô Cecília... viu como todo mundo sonhava igual? Só que você vem e fala!

Vinícius Mendes disse...

Ei..
Cecilia tem feito belos textos
Gosto da delicadeza.

abraço,
vinicius

Valéria disse...

daqueles que inundam... nossa!
um dia te pedi se podia usar um poema teu... posso?
beijo

Azzuma disse...

Lindo mesmo!

Muito bom, Lia.

Bjs,

diovvani disse...

Sei que dói o adeus. Mas ainda bem que é sempre possível: mãos dadas, cadeiras na varanda, o acaso, o respirar outros ares, o escorregar por inéditos vãos e o toque, de outras mãos.