domingo, março 18, 2007

Impossíveis levezas

Eu queria escrever flutuações
como quem caminha sobre o arroz:

sem deixar marcas
do outro lado do papel.

Eu sonhava enxergar
com a transparência
de quem não precisa descerrar
as pálpebras.

Saber desenhar
brancas nuvens no azul
depois andar sem queimar
os pés sobre as brasas do sol.

(Mas a saudade pesa
e arrasta:
cavalo xucro que não se presta
a cabrestos.)

13 comentários:

marcia cardeal disse...

Você consegue arrumar cacos de sentimento, alinhadinhos, lado a lado...com tanta maestria! beijo

marcos pardim disse...

e quando ela, consciente de sua condição de cavalo xucro, desembesta? não é sem ferimentos e/ou dores que cercas vão ficando pelo caminho. sabe, cecília, que acho melhor que seja assim: a galope. é sempre um imenso prazer passar por aqui. 1 beijo

douglas D. disse...

saudade...
sabemo-nos
levezas
(nuvens
azul-vento deixou tudo pra trás)
saudade...

(dê uma olhada no deus e outros escombros...quem sabe gostes de lá)
bjo!

Jefferson P. disse...

São impossibilidades maravilhosas... parte da leve e sentida esperança que lhe toma.

bjssssssssss

Mario Poloni disse...

Belíssimo, e ponto!!
("Eu queria escrever flutuações
como quem caminha sobre o arroz" é das coisas mais lindas que eu já li...)
Vê se não fica tanto sem atualizar seu blog!!!
(E obrigado pela visita e pelo comentário que me deixou ainda mais bobo que o normal...)
Bjsss

Lu disse...

Ah, minha Lia, mas saudade é coisa danada de boa... é também coisa danada de ruim. Por essas e por outras a qualidade de cavalo xucro lhe cai bem.
Saudades tuas.
Beijo grande na tua alma.

Paulo: Osrevni disse...

Oi Cecilia, vim te dizer que é uma benção ler os teus poemas! Tenho os mesmos desejos, angústias e frustrações que essas que tão bem pincelaste neste...

Dora disse...

Cecília! A saudade pesa mesmo e nos tira a leveza...Mas, em suas letras, fica tudo diferente! Elas desmentem a lei da física...Tudo está leve e diáfano nesse texto-poema-desejo!
Beijo soprado nesse céu...
Dora

Ivã Coelho disse...

Nem cabrestos nem antolhos pra ver toda a imensidão das suas letras, infinitas...

Beijos, poeta, abçs fartos.

Mario Poloni disse...

Obrigado pela crítica e pelo protesto. Aquele fim, na verdade, é o "fato real" no qual o texto foi baseado, mas gostei do desafio e vou escrever outro final...
Obrigado pela visita e pelo cometário...
Bjssss!!!

Rubens da Cunha disse...

eu também me sinto assim e busco as mesmas coisas, até o cavalo é o mesmo.
beijo

Além do tempo... disse...

Há dias atrás estive no Rio e de repente olhei para o céu , e tinha um OI! Fora o comercial, claro.... foi uma sensação estranha que tive! Uma sensação de intimidade comigo mesma ou de atenção para o que não havia visto. Adorei tuas fotos e poesias! Encantada com tua maneira de escrever e que traduzem também algumas dores e sentimentos! Estou nova neste mundo dos blogs, mas te encontrei... Bjos Tânia

Mara faturi disse...

Belas imagens brincando de serem palavras....Formando um desenho poético encantador; gostei imensamente...
Mara Faturi