sábado, abril 12, 2008

Do meu coração

Gosto do Neruda: “venho dos seus braços, não sei para onde vou. Do seu coração diz-me adeus uma criança. E eu lhe digo adeus”. Acho que é assim que foi escrito. Ou então é deste jeito que a memória forjou, ou que queria que fosse. O Rio dos Ameandros me espera. De todos os corações, acena-se-me um adeus relativo, compreensivo, parcial, esperançoso ou triste. E eu lhes dedico outro tanto de despedidas cálidas, envergonhadas, esperançosas, amedrontadas. Vou para um Rio dos Ameandros que, não sendo Pasárgada, oferece-me frutos frescos em redes recém-puxadas. Inapetente, devolvo-lhes ao manancial. Preciso apenas de ar e silêncio. Muito silêncio. Alguma espuma do refluxo das marés a se sucederem. A solidão dos urubús empoleirados sobre postes na orla vazia. A calma alegre do dia quando amanhece e nada há para esperar além de mais vinte-e-quatro-horas à frente. A cumplicidade dos capins crescendo em meio a paralelepípedos sonolentos. O rádio do vigia noturno do prédio de fantasmas ao lado. O vento zunindo escuro na noite deserta de venezianas cerradas. Do meu coração acena uma criança convalescente. Retribuo-lhe, abrindo as cortinas para o mar.
(Ausento-me, por uns tempos. Aguardem. No retorno, novidades do Rio dos Ameandros. Abraços.)

(imagem e texto: Cecilia Cassal - Lagoinha - Florianópolis - SC)

3 comentários:

Anônimo disse...

What happened???

Vânia disse...

Que tenhas um belo caminho de volta amiga!
bjs

Mara faturi disse...

Oi moça,
que lindo...belas palavras e imagens,imergindo de um rio profundo e belo;)
Gostei de seu comentário e fico muito feliz por ter te encontrado e por poder te ler..ADORO tua sensiblidade à flor da pele (cai bem para uma dermato né? rs,rs).
Tenha uma ótima viagem , um bom descanso e retorne logo com mais poemas:)
beijão...vai com deus!