quarta-feira, setembro 24, 2008

Nudez

Na terceira vez em que
a mataram, decidiu,
afinal, sucumbir.

Removeu alianças, brincos,
pingentes, outros grilhões
de palavras também.

Lavou em água corrente
as perfumadas volúpias
com que se vestia e partiu

n u a

rumo à primavera.
.
(Imagem: Ézaro Costa Texto: Cecilia Cassal)

9 comentários:

Mara faturi disse...

Que lindo convite à estação...despir as folhas, os musgos, toda a tempestade de outono e adentrar primavera adentro;)
grande bjo Ceci!

Dalva M. Ferreira disse...

Que bonito!

Adelaide Amorim disse...

Q lindo isso, identifiquei-me muito!! Obrigada por ter escrito!! Grande beijo, Hela.

Ilaine disse...

Cecilia!

Que nudez lindamente descrita. A primavera a receberá.

Beijo

Pedro Du Bois disse...

Excelente, Cecília, não só o poema, como os textos em geral. parabéns.
abraco,

Pedro

Ilaine disse...

Oi, Cecília!

Obrigada por vir me ver.
Vou anexá-la à minha lista, ok?

Beijo

Abrace por mim este SUL amado.

Mario Poloni disse...

Peraí!!... Escrever, de verdade, é o que vc faz em presentes como esse Nudez!
Mas fiquei todo bobo com o que você disse (e que bom que mais alguém sacou o educador...).
Bjsss

Rubens da Cunha disse...

Lindo, parece filme. Filme do Theo Angelopoulos.
beijos

Paulo Bentancur disse...

Opa! Esse poema, com flor e tudo, perfume, sombra devastada de Casimiro, e, ainda assim, forte. Venceste a queda-de-braço com certas armadilhas que a literatura nos oferece.

Fiquei boquiaberto.

Beijoca.