domingo, abril 05, 2009

Nem

Nem que cessassem os tambores, se apagassem todas as luzes, nem que as cores emudecessem assim, de um momento para o outro. Não esqueceria. Nem que todos os deuses se dessem por derrotados e seus santos nomes fossem profanados, nem que os tempos houvessem chegado ao fim. Não esqueceria. Podia que o mundo desabasse de seus precipícios de desejo e saudade. Podia até. Que as verdades todas fossem abolidas. Que as tardes se sucedessem sem luares, sem auroras, sem manhãs. Não esqueceria. Mesmo que fizesses do teu silêncio o preciso alarde sobre o que nem sabes. Não esqueceria. Nem se me pedisses. Nem.

(Texto: CeciLia Cassal - Imagem: óleo sobre tela - Leonid Afremov)

11 comentários:

Cosmunicando disse...

"Mesmo que fizesses do teu silêncio o preciso alarde sobre o que nem sabes."

demais!

Theo G. Alves disse...

lindo, lindíssimo. para não esquecer mesmo.

beijo grande!

Quem é ela? disse...

Isso é o que eu chamo de 'tamancada na gengiva'... Preciso, certeiro.
Divino!

Vinícius Mendes disse...

Nossa, que pintura linda!
A combinação foi ótima.

abraços,
vinicius.

Anônimo disse...

CeciLia,

escritoraça, poeta da prosa, escritora da vida, vivificadora do literário. Eu ia recortar um trecho e destacá-lo. Impossível. Teu texto é um punho, um coração (não fechado, mas aberto), uma forma tão bem acabada, tão harmônica, tão equilibrada com essa liberdade dona de um ritmo nada dissoluto e, ao mesmo tempo, nada pétreo, ritmo que tu, como poucos, sabe encontrar, que não pude escolher uma única frase. Fico com o texto inteiro. A merecer o assombro dos comentários que me antecedem e aos quais eu acrescento o meu. Assombro encantado.

Beijos do teu leitor,

Anthero Luz – Santana do Livramento, RS.

marcos pardim disse...

post lindo, cecília. daqueles textos cortantes, secos, não obstante o escorrer lírico das palavras. daqueles de dar uma inveja sadia de não tê-lo escrito. oum então, de assiná-lo em baixo, orgulhoso e feliz de tê-lo lido. bj

Luciane disse...

Ai que bom te reencontrar...que bom ter esse teu cantinho aqui para visitar e me inspirar... Beijos com meu carinho!

guilhermina, (ataulfo) e convidados disse...

Hoje quis fugir de casa. Não daquela cercada por paredes, da outra que levo aonde vou.

Então, caminhei sem rumo mais pra fora, mais pra fora. Não sei em que seta virei, não sei em que sinal tomei a direção que me trouxe. Sei que vim. E que vim de longe. Só pra me emocionar.

Obrigada pela acolhida.
Pude voltar.
Beijo,
Guilhermina
www.esquinadodesacato.blogspot.com

Thamar disse...

Nem que eu não lhe conhecesse ou tivesse tido o imenso privilégio de conhecer a poetisa mais elegante que jamais vi, nem assim deixaria de dizer que ha quilômetros de distancia leste a minha, e a de muitos outros,alma!

Maravilhoso poema, como tudo que escreves linda moça...Beijos
Thamar

douglas D. disse...

pra ler
em silêncio
e em silêncio
ficar...

Luciana Melo disse...

Laputcha!
Como é delicioso voltar aos lugares que amamos, as letras que nos completam, ao calor terno que aquece os quatro costados... ah, minha Lia, nem que se passesem séculos na minha inércia e isolamento, ainda assim não esqueceria esse cheiro bom que a tua casa tem.
Beijo imenso na tua alma,
Tua Lu