segunda-feira, abril 13, 2009

Gavinhas

O pai tinha umas vezes
uns arroubos de árvore
que se pensa eterna e
discursava claro
de dentro da esfera
quase mel-quase verde
dos seus olhos.

(eram olhos líquidos como o vinho)

Tinha umas coisas de
colono, depois do sermão
do padre.
Ou de oleiro que
se pensa Criador,
após modelar para mim
um estranho boneco
de barro.

Um dia,
debaixo das videiras, disse
- minha filha,
isso tu nunca que adivinha:
eu olho para as parreiras e
teus cachos têm
a mesma forma das gavinhas.

(Texto: CeciLia Cassal - Imagem, daqui)


10 comentários:

marcia cardeal disse...

E tuas palavras pendem das imagens - que não são só imagens- como extensão delas; como orvalho de outono que desce devagar, das gavinhas; como se fosse mais um braço, uma raiz. beijos

Jacinta Dantas disse...

A árvore como símbolo de força,
Ar que se respira
Vida.

Um beijo, moça

marcos pardim disse...

melhor não dizer nada. o negócio é ler, reler e sair em silêncio... há coisas que só mesmo o respeito para dar jeito. tchau.

Cosmunicando disse...

que lindo, singelas imagens =)
bjos

Paulo Bentancur disse...

Caríssima CeciLia:

poesia é, sobretudo, imagem. E como tu desenhas em versos quase secos não houvesse por trás deles o sumo de um ritmo e uma arquitetura lírica como poucas tenho visto por aí. Poesia que vai pelo atalho e nos pega em cheio, de surpresa. Parabéns e obrigado.

Dalva M. Ferreira disse...

Isso sim!!! Amei muito muito muito.

Valéria disse...

este texto, Cecília é como história contada ao pé dacama... a gente vai fazendo as imagens na nossa cabeça e depois... sonha.
lindo!
beijo

Mara faturi disse...

Queriiiii,

que poema mais lindo...a primeira estrofe me lembra "Barros" que eu amo, e amo tb sua poesia Ceci...Vc sempre me encantando;0)
* Vou te dar um "prêmio", sério.... aguarde!!
saudades,
bjos!

Mara faturi disse...

lindinha,
vai lá no meu blog..deixei um prêmio pra vc, era para escolher cinco blogs preferidos e eu escolhi o seu entre outros, leia, aceite e repasse o prêmio para teus prefridos,
bjão grande!!

douglas D. disse...

tua poesia
arranca de mim
imagens que eu não saberia...
(obrigado)